2.8.17

Para mapear Porto Alegre da moda sustentável

Sempre digo que o que há de mais sustentável na moda é a cultura de brechós. Com isso não estou dizendo que não há outras atividades e produções criativas, de posicionamentos éticos claros, com bons efeitos no mercado. Marcas, projetos, lojas que mantém o diálogo com o que há de mais potente para mudar o mundo. Despretensiosos, porém efetivos. E preciso ter coragem de afirmar que a própria moda é capaz de inventar brechas para sua existencia. 
A Cacá Camargo é uma dessas pesquisadoras corajosas e cujo trabalho tenho a alegria de acompanhar. Aberta ao diálogo e com um folego raro, ela criou e, com a ajuda do Núcleo de Moda Sustentável da UFRGS, mantém um mapeamento de marcas, lojas e iniciativas em Porto Alegre com essas preocupações. 
Para conhecer acesse o link e se programe para boas experiencias. 


31.7.17

Para uma clínica política

Em tempos violentos e de produção de desamparo, a aproximação cuidadosa de diferentes autores que nos auxiliem a pensar como tamanha dor vem se produzindo parece pertinente. Abaixo divulgação de curso que nos ajuda nessas reflexões. 

Na pena de Michel Foucault vimos que as relações sociais não acontecem no vácuo, mas são configuradas pelos “jogos de poder” que estruturam a práxis política. Com ele também aprendemos que o poder não é algo que se tem, mas algo que se exerce a partir de posições estratégicas. Neste sentido, o poder não se restringe às relações de dominação instituídas legalmente, mas opera para além delas. Podemos concebê-lo como “jogos estratégicos entre liberdades” para insistir que não há o poder, mas poderes que se atualizam como “jogos estratégicos que fazem com que uns tentem determinar a conduta de outros, ao que os outros tentam responder não deixando sua conduta ser determinada, ou determinando, em troca, a conduta dos outros” (Foucault, [1984] 2004, p. 285). Não percamos de vista, também, que a trama social é tecida pelos sujeitos imersos em relações de poder, mas igualmente pelos sujeitos imersos em efeitos de significação, ou seja, há uma implicação inextricável entre poder e saber: o poder produz saber. Lacan se aproximou da teoria da discursividade foucaultiana e nos mostrou que a “ordem dos discursos” pertence à dimensão simbólica, o lugar do Outro enquanto a dimensão na qual, para a psicanálise, o jogo político é jogado. Pensando em como o gozo circula no laço social e nas consequências políticas dessa circulação, Lacan articulou o campo da linguagem ao campo do gozo para criar sua teoria da discursividade e com ela nos mostrou que todo discurso tem como efeito um sujeito (Lacan, 1969-1970/1992). É visível que a proliferação de discursos totalitários produz efeitos éticos e políticos problemáticos no campo do sujeito, mas vale a aposta de que a potência disruptiva da pulsão pode produzir brechas democráticas na tessitura espessa do laço social contemporâneo.


21.7.17

A clínica e a roupa

O que faz uma psicóloga interessar-se por roupas, pela moda e pelas práticas do vestir?
Como a roupa e a moda poderiam se atravessar na escuta clínica?
Não são perguntas simples...
Podemos começar pensando que todos estamos vestidos, desde os primórdios a roupa está presente em nossas vidas, em nossa e outras tantas culturas.

19.7.17

Sobre roupas, desamparo, psicanálise, Foucault

"Os recentes movimentos de liberação sofrem por não poderem encontrar nenhum princípio em que basear a elaboração de uma nova ética." Foucault, 1983

Foucault falava aqui sobre sexualidade. Mas poderia estar falando sobre o desampado ou mesmo sobre nossa relação com o consumo. 

A partir da possibilidade do aumento do consumo no nosso país a roupa ganhou muito mais espaço. Pouco se discute o impacto do consumo de moda da economia e muito menos na subjetividade.

Na clínica psicanalítica, na consultoria de estilo, nas ruas, notamos a dificuldade das pessoas em lidar com o modo como passaram a consumir. O consumo como resposta para angústias não resolve, não possibilita entender o que produz esse sofrimento. 

Olhar para nosso desampado, seja como for, é dar chance para a invenção de novos modos de vida que não passem somente pelo consumo; entre eles a roupa. 

A liberdade do consumo de moda pode ser tão engessadora como usar um uniforme. Tudo podemos vestir, mas como vestir ao meu modo? O sentido de ética aqui é encontrar em nossas experiencias no mundo (que incluem o próprio guarda-roupa) algo que nos toquem com ele. 

11.7.17

Vamos assumir a beleza do brechó?

O nome de um estabelecimento que troca e/ou vende itens usados é brick/brique ou brechó. Esse nome é uma corruptela de Belchior, nome de um mercador de usados no Rio de Janeiro (sem data precisa).
Acho estranho o receio de usar estes nomes. Sei que diversas pessoas trabalham para desmistificação dos tabus que envolvem o mercado. Porém várias outras fogem dos estereótipos sem se comprometerem com a mudança de paradigma.
Brechó é o negócio de roupas cujas práticas são sustentáveis em excelência. Não há nenhum outro tipo com tantas qualidade de reciclagem, ressignificação, geração de renda como ele.

É LINDO SER BRECHÓ! 

29.5.17

Compartilhando O trabalho de um percurso: DISSERTAÇÃO

Em 2014 entrei no tão sonhado mestrado e Psicologia Social Institucional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Assim, por extenso pq sonho a gente não resume, né?

Foi assim, suado, cansativo, exaustivo, possível, compartilhado, dedicado, curioso, desafiador esse processo. Eu estava há 9 anos loonge da universidade e tudo era novo. Passou e, por mais que saiba dos problemas que não consegui contornar no texto, na pesquia, me orgulho dele. 

Agora ele pode ser baixado da biblioteca virtual virtual da Universidade no link.

O título? Brechó, brecha, break: produção de subjetividade pelas práticas do vestir no Brechó de Troca. 

E Brechó de Troca para mim é maiúsculo. Minha maior conquista profissional. 

Todos os feedback são bem vindos!!!!
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