26.3.17

ROUPAS E SEU DESTINO

Você já se perguntou para onde vão as peças de que voce se desfaz? Bem tracemos alguns caminhos possíveis, ok?

Você compra uma peça nova; ela custa um valor razoável, escolheu em uma loja que gosta e sabe que não foi fabricada por mão de obra escrava. Sente-se reconfortada por isso: está fazendo o possível dentro de seu universo para não manter essa cadeia terrível. 

Um belo dia cansa de usá-la. Tenta mais duas ou tres vezes, mas não lhe faz mais sentido. Resolve juntar com mais uma sacola de outras peças com o mesmo problema e leva a um brechó para vende-laas. Lá descobre que não é a única que teve a mesma ideia: é uma onda essa tal preocupação com o consumo de roupas e os brechós estão atulhados de desapegos. Então passa a roupa e mais duas para uma amiga e o restante envia para uma instituição de caridade. No caso das peças doadas para sua amiga terão o mesmo fim: algumas doadas para outras amigas e o restante para instituição de caridade. E depois? 

Dessa vez não citarei aqui as possibilidade regionais para o destino "final" dessas roupas. Agora compartilharei um documentário que mostra o melhor destino que sua roupa pode ter. Eu disse o MELHOR. Pq há possibilidade ainda piores. 


23.3.17

ROUPA DE MULHER DIREITA

Como uma mulher deve se vestir? Como deve se vestir para ser respeitada? 

O fato é que uma a cada tres pessoas acreditam que a culpa de um estupro é da vítima, ou seja, do modo como ela falava, vestia, era. Pq essa é a questão: o ato do estupro é sempre em função de algo de expresse o feminino. Roupas femininas, gestos que expressem algo que é comumente conhecido como feminino, um homem que posicione de maneira menos afirmativa, meninas. Basta insinuar, portar ou ser algo que o agressor entenda como feminino que o mesmo passa a entender que tem gerencia sobre este corpo. 

A CULPA NUNCA É DA VÍTIMA. 

Esta realidade dura, de distorção de uma lógica do direito sobre o próprio corpo, está presente no trabalho fotográfico (e tese) de  Katherine Cambareri. A fotógrafa escolhe não as vítimas, mas suas roupas para registrar a impactante afirmativa de que não é uma saia curta ou qualquer outra peça de vestuário que definirá quem pode ser estuprada. NINGUÉM pode. As roupas são escolhas de pessoas para expressarem-se, mas é somente seu desejo expresso que define se ela quer ou não ter relações sexuais. Qualquer situação diferente dessa é estupro e independe da roupa que a mulher usa. 



O que voce acha das escolhas estéticas das vítima? Ou isso não interessa, não é mesmo?

19.3.17

DO HUMANO

O que é ser Humano? O que atravessa milhões de seres no mundo da mesma forma? Isso é possível?

Como os valores e culturas se constroem? Onde e como nasce um preconceito, um julgamento? 

O documentário HUMAN é enorme. Enorme em complexidade, beleza, provocação. Um deleite... 

Aos que acharam que eu compartilharia os ensinamentos do Mujica erraram. Dona Maria, mulher brasileira, inventa seu modo de se relacionar com os objetos. E este modo passa pela construção de valores que hierarquiza o trabalho e a aquisição do saber. Depois vem todo o resto. Mas primeiro mesmo vem ela toda simples, humilde, nos tocando com sua sabedoria. Para conhecer Dona Maria acesse o link


16.3.17

MAIS CRUZAMENTOS ARTE-MODA

Sigalit Ladau é uma artista israelense cujo trabalho é tocado pelo contato com o Mar Morto e o sal.

Em 2014, inspirada por uma peça de teatro, onde a personagem é encorporada pelo espírito de seu amado,  reconstrói o vestido do figurino e o submerge nas águas do Mar Morto. A roupa passou por processo de salinização transformando-a estética, estrutural e funcionalmente.

"A noiva de sal" foi o nome dado a obra quando pronta, dois anos após ser iniciada. O processo todo foi observado a cada 3 meses por meio de registros fotográficos e, ao final, exposto no Marlborough Contemporary de Londres. 

A arte abre portas, janelas, questões... O vestido fabricado para a obra ainda é figurino? Deixa de ser roupa? Alguma vez esta peça pode ser chamada de moda? Que efeitos o tempo tem sobre os objetos?

Estas são algumas das perguntas que me ocorreram ao ver a obra, que pode ser vista neste vídeo. Para conhecer mais sobre as obras da artista acesse o link.

Fonte: updateordie.com e divaholic






12.3.17

NEM RECATADA, NEM DO LAR, MAS DA CULTURA

A roupa, assim como inúmeras manifestações culturais, é elemento antropológico que nos dá suporte para conhecer povos, seus modos de organização social, hierarquias, como lidam com afetos, etc. 

Diminuir a relevância que um vestido tem sobre um discurso de um/uma líder é tentar fazer uma simplificação impossível. Cada aspecto de uma cultura se costura a diversas outras produzindo um discurso de um tempo-espaço coletivo. 

Os casamentos são práticas usuais e diferentes civilizações e em diferentes comunidades étnicas. Cada etnia preconiza os modos como esse ritual será. 

Achei um site que organizou imagens do Instagram de inúmeros casais heterossexuais em trajes de casamento típicos de suas etnias. Não fiz a conferencia da veracidade desta pesquisa de imagens, mas a proposta aqui é somente abrir os olhos para tamanha riqueza de pluralidade que o mundo mantém até hoje no que tange a indumentária de rituais sociais. Vivemos em um mundo pós-moderno, mas em estágios diferentes em espaços geográficos diferentes. Em muitos locais ainda é possível perceber marcas visuais importantes que expressam que os noivos só poderiam ser de lá. 

Dá o que pensar, não? 


9.3.17

ARTE, MODA E LIVROS

Arte e moda flertam suas produções, pesquisas, discussões. Somos o que dizemos, fazemos e vestimos; se a arte expressa inquietações e problematizações dos sujeitos elas passarão necessariamente pelo modo como nos cobrimos, seja pela perspectiva antropológica da indumentária, seja pela crítica do fenomeno da moda.

Os museus de arte tem percebido o quanto exposições que passem pela temática das vestimentas atraem público. Museus não são espaços de consumo por excelencia: se consumimos arte (e sim, existe mercado de arte estruturado e rentável) antes ela passa por seu propósito ético-estético de crítica social. Mas é preciso convocar e tornar tais pautas palatáveis ao público geral. 

O MET, museu novaiorquino, já produziu mais de 20 exposições em que a roupa é um eixo importante ou articulador das proposições. E quem tem dinheiro/estomago/vontade/tempo de ir a tantas exposições??!!

Uma maneira possível de aproximação da arte é através de catálogos de exposições. Neles temos uma ideia de como curadores pensaram o tema/artista para nos apresentar. 20 dos catálogos das exposições do MET estão disponíveis paara download em seu site oficial. Outro site disponibilizou organizadamente as obras, separadas das demais exposições do museu. Para baixar as obras clique aqui


8.3.17


BRECHÓ DE TROCA completou, em 24/01, 8 anos de atividade. 
E um Projeto pensado, cultivado, partilhado, amado. Já faz um tempinho que faço recesso em jan/fev e em 2017 não foi diferente. Mas agora é tempo de recomeçar. 
Em sabendo que o BT não é um Projeto comercial, um business, mas sim um grupo que parte da Psicologia Social, não tenho compromisso com pressa: não deu para avisar o recesso, não consegui mandar msg de aniversário. O tempo neste espaço é outro; o tempo de estar com parcerias que transcende os eventos, o tempo da história das peças, e outros tantos.
Agora tentarei uma retomada. Mas isso não significa ter posts 3x/semana. Significa apenas mais tempo dedicado ao blog e a fanpage, mas tudo no seu tempo. 
Então vem comigo? Só posso dizer que nos divertiremos.
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