11.5.17

BRICK DE DESAPEGOS ESPECIAL

Neste domingo o Brick de Desapegos estará especial para mim. Estarei duplamente participando. Juntamente com Claudia Porcellis AristimunhaMarta Fadrique e Marilia Verissimo Veronese teremos a arara do Coletivo Brecholentas, moda circular e ressignificada. E com Babi Andrade da Casa da Traça e Lú Retrô do Brechó Retro haverá um bate-papo sobre mercado de brechós. Quer mais? Teeeem!! Faremos uma exposição de acervos!! Muita história, memória, moda sustentável, cultura de brechós!!




24.4.17

Compartilhando Trabalho de Pesquisa

Quem acompanha meu trabalho sabe que sou pesquisadora no campo da moda, sujeito e suas produções no coletivo. Na última sexta-feira minha colega Michele Medrado apresentou texto nosso em evento na UCLA. 

Segue aqui fragmento de nosso paper que penso ser muito pertinente a visualização no dia de hoje que, para quem não sabe, é aniversário de uma tragédia: o desabamento de um edificio chamado Rana Plaza em Bangadesh onde fucionavam facções de produção da indústria textil. Foram 1129 mortos. 

Today April 24th is “Fashion Revolution Day”, what to observe?
Clothes and textiles are things that more than covering our bodies or helping us to negotiate or social positions and establish relationships; They can lead to distinct politics of space, nations and social realities, all tangled in a web of meanings whose visual expression circulates globally manifesting symbolic power and violence. On April 24 of 2013 Rana Plaza’s factory building collapsed and approximately 1,129 (a thousand hundred twenty nine workers died). Images of the tragedy circulated worldwide showing that sweatshop is an imperative kind of labor environment on the contemporary garment industry production.
Today is a day to remember each women's workerswomen's workers that bring their kids to the workplace and teenagers that sewed our entire wardrobe overseas working in dirty places, over 10-14 hours and earning an average of $ 100 monthly. It is the day to improve and sometimes rethink sustainable fashion practices, to realize the consumer role and the consumer society. It is the day to boost, and expand critics ideas of ephemerality, to enhance transformations of the fashion productive system acknowledging thatclothing is not only as a object with market value. Clothing are project of values, whose transnational relations among producers, distributors and consumers are marked by alienation and fragmentation. If we are looking for a revolution we must think on the women’s workers.

Segue link do evento para quem quiser saber mais. 

21.4.17

SÉRIE "HISTÓRIA DE BRECHÓ" vol.2 Maria Sem-Vergonha

A primeira postagem dessa série saiu dia 07 com o brechó Casa da Traça. Hoje o blog abre a página para o Maria Sem-Vergonha Brechó, o brechó com nome de flor, mas também de qualidade de melher determinada, que não se preocupa com a opinião alheia. Segue depoimento redigido por uma das sócias, a Solange. A outra é a Simone.


O Maria Sem-Vergonha brechó nasceu no dia 19 de março de 2009, ocupando o mesmo berço do Spazio Brechó, na Osvaldo Aranha.
Minha sociedade com a Simone se formou quando dividimos a ideia de abrirmos um negócio em conjunto, bem antes daquele ano.  Dentre as opções levantadas estava um brechó infantil, visto que poucos existiam na cidade, caracterizando uma oportunidade de negócio. Mas não poderia ser um brechó qualquer. Tinha que ser um parecido com o Spazio, para mim um modelo a ser seguido pelo fato de ser moderno, diferenciado.
Certo dia, olhando os classificados da Zero Hora eis que me deparo com o anúncio de venda do Spazio. Não acreditei e imediatamente liguei para a Simone. Sabia que aquela seria a a oportunidade das nossas vidas. No dia seguinte, lá estava eu negociando a compra do ponto com a Duce. Amor a primeira vista.
Assim, planejamos a nova loja contemplando produtos infantis e adultos, só para "meninas". Fizemos o Plano de Negócios e uma linda inauguração. Com o tempo deixamos de trabalhar com peças infantis. 
Minha formação é em Publicidade e Propaganda, e a da Simone é Magistério. Ambas tínhamos experiências no comércio. Eu particularmente fui criada dentro de uma loja e jamais imaginaria que minha maior satisfação pessoal pudesse estar à frente de um balcão, mas também usufruindo dos conhecimentos e experiência de quase 15 anos na publicidade.



Fecho com meus pitacos...
O Maria Sem-Vergonha também é um estabelecimento onde eu levei turmas de cursos de extensão sobre brechós. Minha escolha se deu pelo modo preciso com que a Solange e a Simone escolheram trabalhar. A seleção das peças de dá de forma organizada, uma vez ao mes, com agendamento de clientes. Elas tem critério e comprometimento com ele e para com suas clientes. Há um estilo claro na loja e o acesso é ótimo. O atendimento é excelente, respeitoso e cuidadoso. 

17.4.17

Serie PRÁTICAS DO VESTIR

Só retomando a ideia: isso não é um look do dia, não é um acerto com marcas de moda, não pretende ditar códigos ou sugestões de como se vestir. Agora que sabemos o que não é... bora lá?

Esse feriado foi Páscoa. Foi bem cansativo: precisei vir na sexta-feira santa no consultório buscar os bolinhos de peixe que ficaram no congelador, trabalhei na madrugada sábado/domingo via skype com uma amiga-colega na construção de um texto, dormi pouco. Mas no final do domingo curti. Não descansei, mas curti. Isso me fez levou a me dipor a pensar em uma roupa para a segunda, ao invés de me contentar com jeans/camiseta ou calça preta/camisa/sapato. Ao escrever essas linhas notei umas coisas tristes, que talvez compartilhe no final...

O cenário é meu consultório;
A camiseta por baixo é uma básica da hering. Talvez o item mais mercadológico da composição;
Colete de neoprene que ganhei há tempos da tia Suzana;
Saia de couro sintetico que minha mãe fez para mim (by Yeyê Soares) com forro quadriculado. O cetim do forro foi presente da Suzana e ficou guardado muito tempo nas caixas de costura, até que minha mãe teve a ideia de colocar nessa saia. Achamos que daria um tchãn na fenda de traz. 
Meia-calça que ganhei da minha prima que aniversariou ontem... Olha aí a diversão do domingo!! 
Sapato que foi da minha irmã. Ele deve ter uns 18 anos. Passou pouco por sapateiro!
Anéis de sempre na mão direita.
Anel de madripérola comprado na Feira de São Cristóvão em Errejota.
Brincos que foram, em priscas eras, da minha mãe. Tipo, há uns 30 anos. 





A cara de quase psicopata é por conta do cansaço. E fiquei pensando mais sobre a escolha... A mistura do couro sintético com o neoprene modelado ao corpo tem uma pegada feminina, talvez sensual. O preto, sem a alegria da cor, pode reforçar essa ideia. Aí pensei... Pq em uma semana tão cansativa esse apelo que, diga-se de passagem, vem me incomodando? Pq do cansaço gerar uma imagem de feminilidade apelativa? Isso me entristeceu. Até eu lembrar das meias alegres, divertidas e saber que vieram de minha prima me reconfortou. Um imagem familiar de feminilidade, imagem que se constrói. Pq é nas brechas que vamos construindo possibilidades de um vestir singular. 

14.4.17

ESTILO E PRECONCEITO: palavra com efeito de ato

"Não gostei da maneira como ela combinou essa blusa com essa bolsa."

"Que maquiagem é essa?!"

"Ela é um amor, mas tão cafona, né."

"Trabalha com moda e se veste desse jeito."

"Tão elegante... Será que é a esposa que escolhe para ele?"

"Não tem senso de ridículo?"

Voce já proferiu alguma dessas frases? Nem intimamente para amigxs mais próximos ou umx colega superconfiável? Oscar Wilde já dizia que só os tolos não julgam pela aparencia. Todos nós julgamos, sejamos honestos ao menos em nossas reflexões, nessa leitura ou no mesmo ambito em que se partilharia um conteúdo como este acima. 

Sugiro a liberdade de expressão? Calma... Vamos pensar assim... Como transformar qualquer realidade sem ao menos saber de que modo ela te atinge? Saber de que modo determinada estilo nos incomoda nos ajuda a reconhecer o nosso próprio e assim poder entender como conviver com o diferente. 

Se voce não reconhece que determinado tipo de estampa, modelagem ou corte de cabelo lhe são desagradáveis no espelho, como saber se seus olhos, espelhos aos outros, não expressa o mesmo tipo de rechaço? 

"O preconceito é um tipo de injustiça que expõe na linguagem, mas também se cria por meio dela. E nesse sentido que se pode dizer que falando estamos fazendo."

No Brasil as pesquisas indicam que a maior parte da população identifica a sociedade como racista (um dos inúmeros tipos de preconceito), mas uma ínfima minoria reconhece em si tal falha. 

A proposta é pensar DE QUE MODOS, ou ainda, COMO somos preconceituosos com o estilo alheio de vestir-se. Inevitavelmente seremos de alguma forma. O desconhecido costuma ser algo delicado para uns, doloroso para outros ou ainda um grande monstro. Não é fácil este exercício, mas é um ponto de partida importante para construção de olhares que saem de uma posição crítica e passam a respeitar, ou quiçá admirar a diferença. 

Cada vez que nos fechamos a diferença nos abrimos ao nosso próprio umbigo. O problema nisso é que quando falamos de práticas do vestir estamos implicando objetos e, com isso, consumo. Quando achamos que nossa opinião é algo que temos liberdade de usar indiscriminadamente entramos na ceara do rompimento do espaço partilhado e migramos para o espaço governado pelo individualismo. E o individualismo tem direção na ilusão do poder de compra. Se é meu, logo ninguém tem nada a ver com isso. Ora, se ninguém tem nada a ver com isso pq vc poderia então opiniar arbitrariamente sobre o estilo do outro? 

Olhar-se no espelho e encontrar uma imagem agradável é muito importante, mas é uma construção. Ela não precisa passar exclusivamente pelo consumo de roupas como conhecemos nos últimos 20 anos. Há outros modos de inventar o seu look para sair de manhã. 

"Roupas de marca são escafandros, e carros de moda, jangadas que nos levam aquele tipo mitológico de ilha dos mortos que parecem em filmes de fantasia. As coisas que podemos adquirir no reino do poder de compra são ancoras por meio das quais queremos sentir que se atravessa um chão firme, embora estejamos a deriva em alto-mar. Isso tudo sem sair das margens de nós mesmos. 
(...)
O que mais atrai na mercadoria, a certeza de que possuir algo, não é mais que uma grande fantasia."

A fantasia esta de que a compra de uma roupa possa ser a única forma sentir-se bem com o espelho. Não esquecendo que os olhos dos outros funcionam como espelhos. Não espere que o outro não lhe julgue se voce mesmo o faz. Converse sobre outros assuntos com seus amigxs e colegxs. Quando compartilhamos um julgamento/opinião/apreciação negativa com outras pessoas isso toma uma materialidade, ou seja, uma ideia que pode ser sentida. Assim como um tapa, uma roupa que pinica, um empurrão. A agressividade da palavra pode ter força de ato. 

Busque em si seus preconceitos estéticos. Não é facil; encontre parceirxs para compartilhar as dificuldades do desafio. 

As aspas são do livro "Como concersar com um fascista - reflexões sobre o cotidiano autoritário brasileiro" de Marcia Tiburi.
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