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19.3.17

DO HUMANO

O que é ser Humano? O que atravessa milhões de seres no mundo da mesma forma? Isso é possível?

Como os valores e culturas se constroem? Onde e como nasce um preconceito, um julgamento? 

O documentário HUMAN é enorme. Enorme em complexidade, beleza, provocação. Um deleite... 

Aos que acharam que eu compartilharia os ensinamentos do Mujica erraram. Dona Maria, mulher brasileira, inventa seu modo de se relacionar com os objetos. E este modo passa pela construção de valores que hierarquiza o trabalho e a aquisição do saber. Depois vem todo o resto. Mas primeiro mesmo vem ela toda simples, humilde, nos tocando com sua sabedoria. Para conhecer Dona Maria acesse o link


26.8.16

GARIMPO

Este blog vai além de incentivar práticas para um vestir sustentável. Minha ideia sobre a moda e o vestir passa pela noção de que somos seres da cultura, da palavra. Isto quer dizer que tudo o que produzimos, usamos e consumimos é CULTURA. 

O esforço em falar e falar, escrever e escrever sobre nossos hábitos carrega o intuito da não-repetição de erros, de pensar sobre o que já fizemos e como podemos pensar em práticas do vestir cada vez mais implicadas com o mundo em que vivemos. 

A sustentabilidade é só uma palavra se não tomarmos nossas experiências de erros e fracassos, nossas histórias e expectativas de futuro como pontos a serem costurados.

Há tempo atrás achei ouro em pó, hehehe. Uma expressão para minha reação ao ver ESTE SITE-CATÁLOGO de uniformes de companhias aéreas de todo o mundo. É um trabalho minucioso, incrível!!! 

Mas o atraso (conheço-o há anos!!) em compartilhá-lo não vem com arrependimento. Refazendo a busca do link acho mais ouro! Este artigo que trata com muita competência da cultura de moda deste recorte profissional.

Poder pensar em como as aeromoças e, mais tarde, comissários de bordo têm se vestido, é falar sobre a história da aviação, a relação das nações com esta área e outros tantos atravessamentos como o econômico, a moda, etc. 


17.8.16

EU FUI - Fórum RJ

"EU FUI" é uma nova sessão (que na prática já existia) aqui do blog. Não sou onipresente: taaaantas coisas, eventos, cursos, palestras, discussões, fóruns que eu gostaria de ir e não consigo... Mas o foco é pensar em fazer esticar o que se faz, valorizar cada passo da vida, do trabalho. Isso mesmo: estou compartilhando algo em que pude estar presente e que rendeu um material para vocês apreciarem também. 

Então lá vai... 

Logo após a defesa de minha dissertação de mestrado enlouqueci e "fugi" pro Rio. Mas os motivos foram incríveis: Fórum RJ do MinC e conhecer a Malha.cc

O que é isso tudo? 

Após inserção no Ministério da Cultura a pesquisadora e editora Kathia Castilho passou a organizar uma série de Fóruns (RJ e SP) para apresentar o Plano Setorial da Moda, projetos que mostram sua (in)viabilidade, aplicação. Um espaço para o setor da moda se ouvir, queixar-se, levantar demandas, valer-se das promessas do plano. 

No Fórum RJ o tema foi patrimônio e memória. Aconteceu no Museu Histórico Nacional (!!!!) com visita técnica ao futuro Museu Zuzu Angel (!!!). 

O Fórum no Museu Nacional contou com duas mesas com presenças do diretor do Museu e: Maria do Carmo Rainho, Márcia Bibiani, diretora do Museu da Baronesa e Michelle Benarush, Hildelgard Angel, Márcia Merlo e Kathia Castilho. 

Ficou claro o quanto precisamos avanças nas políticas públicas para o setor no que tange ao resgate histórico de moda e indumentária do país. Faltam recursos, mão de obra, quebra de estigmas. A moda ainda é tomada como futilidade e não como produção cultural de um povo. 

Seguem registros dos encontros e da linda visita ao futuro Museu Zuzu Angel. 

Maria do Carmo Rainho na apresentação de sua pesquisa
 Apresentação do projeto do Museu da Baronesa
 Hilde Angel apresentando o projeto do Museu Zuzu (emoção pura)
 Detalhe da fachada da casa.

 Fotografia histórica: as duas diretoras de museus de moda do RJ - Hilde e Márcia Bibiane
Olha eu ali ao lado da Kathia Castilho!!

 Para assistir as mesas do Fórum RJ clique aqui

8.9.13

pontual e brilhante como sempre

"Prezada Ministra Marta, como vai?
Escrevo para lhe dizer que concordo com a sua afirmação: moda é cultura. Alta culinária também. No entanto, eu não penso que sejam estas as expressões culturais que precisam dos incentivos do MinC.
O argumento de que desfiles sofisticados "melhoram a imagem do brasil no exterior", a meu ver, é inconveniente. Esta era uma preocupação dos governos militares: enquanto havia tortura aqui dentro, eles se preocupavam com a imagem do Brasil lá fora. Ora, só o fim da ditadura poderia melhorar nossa imagem frente aos países democráticos.
Hoje, em plena democracia, a tortura só é praticada nas delegacias da periferia, contra negros e pobres cujas famílias são intimidadas para que as denúncias não cheguem nem à sociedade local, quanto menos à comunidade internacional. Então, oficialmente, vivemos em plena democracia. Mas o que é que "mancha" a imagem do Brasil no exterior? Não é a falta de alta costura/alta cultura. É a permanência da desigualdade, que nem os programas sociais dos governos petistas conseguem debelar de fato, embora tenham sim diminuído significativamente a miséria que excluía milhões de brasileiros dos padrões mínimos de consumo.
A desigualdade que persiste no Brasil já não é a que impede o povo brasileiro de se alimentar. É a que impede o acesso das classes baixas aos meios de produção. Pescadores perdem as condições de pescar – e com isso, sua cultura tradicional – expulsos de suas comunidades para se tornarem, na melhor das hipóteses, trabalhadores braçais não qualificados. Lavradores, quilombolas e grupos indígenas perdem suas terras – e com isso, as condições de manter suas práticas culturais – expulsos pela ganância do agronegócio.
Os Pontos de Cultura criados na gestão Gilberto Gil estão abandonados em muitas regiões do país. Músicos e poetas das periferias das grandes cidades não conseguem recursos para mostrar sua arte para o resto do país. Pequenos grupos de teatro, que sobrevivem graças à Lei do Fomento criada na sua gestão na Prefeitura de São Paulo, dificilmente conseguem levar sua produção cultural para outros Estados, muito menos para outros países.
Não prossigo indefinidamente com exemplos que sei que são de seu conhecimento. Termino com uma afirmação que me parece até banal: em um país tão desigual quanto o nosso, fundos públicos só deveriam ser utilizados para possibilitar o crescimento de quem não tem acesso ao dinheiro privado.
Tão simples assim. Por isso estou certa de que, a cada vez que o MinC, o MEC, o Ministério da Saúde e quaisquer outros agirem na direção oposta à da diminuição da desigualdade, a sociedade brasileira vai se indignar. As expressões dessa justa indignação é que hão de "manchar a imagem do Brasil no exterior"'.
Respeitosamente, Maria Rita Kehl.


* Maria Rita Kehl, psicanalista, ensaísta, crítica literária, poetisa e cronista brasileira.1 Em 2010, foi vencedora do Prêmio Jabuti de Literatura na categoria "Educação, Psicologia e Psicanálise" com o livro O Tempo e o Cão.2 3 e recebeu o Prêmio Direitos Humanos do governo federal na categoria "Mídia e Direitos Humanos".

Fonte: Revista Fórum
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