Mostrando postagens com marcador palavra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador palavra. Mostrar todas as postagens

2.8.17

Para mapear Porto Alegre da moda sustentável

Sempre digo que o que há de mais sustentável na moda é a cultura de brechós. Com isso não estou dizendo que não há outras atividades e produções criativas, de posicionamentos éticos claros, com bons efeitos no mercado. Marcas, projetos, lojas que mantém o diálogo com o que há de mais potente para mudar o mundo. Despretensiosos, porém efetivos. E preciso ter coragem de afirmar que a própria moda é capaz de inventar brechas para sua existencia. 
A Cacá Camargo é uma dessas pesquisadoras corajosas e cujo trabalho tenho a alegria de acompanhar. Aberta ao diálogo e com um folego raro, ela criou e, com a ajuda do Núcleo de Moda Sustentável da UFRGS, mantém um mapeamento de marcas, lojas e iniciativas em Porto Alegre com essas preocupações. 
Para conhecer acesse o link e se programe para boas experiencias. 


21.7.17

A clínica e a roupa

O que faz uma psicóloga interessar-se por roupas, pela moda e pelas práticas do vestir?
Como a roupa e a moda poderiam se atravessar na escuta clínica?
Não são perguntas simples...
Podemos começar pensando que todos estamos vestidos, desde os primórdios a roupa está presente em nossas vidas, em nossa e outras tantas culturas.

19.7.17

Sobre roupas, desamparo, psicanálise, Foucault

"Os recentes movimentos de liberação sofrem por não poderem encontrar nenhum princípio em que basear a elaboração de uma nova ética." Foucault, 1983

Foucault falava aqui sobre sexualidade. Mas poderia estar falando sobre o desampado ou mesmo sobre nossa relação com o consumo. 

A partir da possibilidade do aumento do consumo no nosso país a roupa ganhou muito mais espaço. Pouco se discute o impacto do consumo de moda da economia e muito menos na subjetividade.

Na clínica psicanalítica, na consultoria de estilo, nas ruas, notamos a dificuldade das pessoas em lidar com o modo como passaram a consumir. O consumo como resposta para angústias não resolve, não possibilita entender o que produz esse sofrimento. 

Olhar para nosso desampado, seja como for, é dar chance para a invenção de novos modos de vida que não passem somente pelo consumo; entre eles a roupa. 

A liberdade do consumo de moda pode ser tão engessadora como usar um uniforme. Tudo podemos vestir, mas como vestir ao meu modo? O sentido de ética aqui é encontrar em nossas experiencias no mundo (que incluem o próprio guarda-roupa) algo que nos toquem com ele. 

11.7.17

Vamos assumir a beleza do brechó?

O nome de um estabelecimento que troca e/ou vende itens usados é brick/brique ou brechó. Esse nome é uma corruptela de Belchior, nome de um mercador de usados no Rio de Janeiro (sem data precisa).
Acho estranho o receio de usar estes nomes. Sei que diversas pessoas trabalham para desmistificação dos tabus que envolvem o mercado. Porém várias outras fogem dos estereótipos sem se comprometerem com a mudança de paradigma.
Brechó é o negócio de roupas cujas práticas são sustentáveis em excelência. Não há nenhum outro tipo com tantas qualidade de reciclagem, ressignificação, geração de renda como ele.

É LINDO SER BRECHÓ! 

29.5.17

Compartilhando O trabalho de um percurso: DISSERTAÇÃO

Em 2014 entrei no tão sonhado mestrado e Psicologia Social Institucional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Assim, por extenso pq sonho a gente não resume, né?

Foi assim, suado, cansativo, exaustivo, possível, compartilhado, dedicado, curioso, desafiador esse processo. Eu estava há 9 anos loonge da universidade e tudo era novo. Passou e, por mais que saiba dos problemas que não consegui contornar no texto, na pesquia, me orgulho dele. 

Agora ele pode ser baixado da biblioteca virtual virtual da Universidade no link.

O título? Brechó, brecha, break: produção de subjetividade pelas práticas do vestir no Brechó de Troca. 

E Brechó de Troca para mim é maiúsculo. Minha maior conquista profissional. 

Todos os feedback são bem vindos!!!!

27.5.17

Série História de Brechó, vol. 3 - GARIMPORS

Hoje é a vez de a MÕnica contar para a gente como resolveu e como leva até hoje o seu Garimpo RS. 

Bom dia Helena!!
desculpa a demora, mas não estava muito inspirada anteriormente.
Vou te contar como surgiu o Garimpo:

O Garimpo surgiu em abril de 2009 como um brechó on line. Mas antes disso eu já vendia algumas peças novas e usadas para amigas e colegas de trabalho. 
Certo dia, vi na internet, uma reportagem sobre os brechós virtuais e achei o máximo. Não pensei duas vezes e convidei minha irmã para participar comigo. Alguns dias depois pesquisei como criar um blog e na mesma semana estava no ar. Na época, haviam poucos brechós neste formato e a forma principal de divulgação era através da troca de links, onde cada brechó ajudava a divulgar o outro. Tenho clientes e amigas que fiz desde o início do brechó até hoje.

Ainda utilizo o blog como divulgação mas com o tempo, o Fan Page e o perfil do facebook passou a ser uma forma mais rápida e prática de venda e troca de peças! Lembro que por volta de 2010 /2011 surgiu no Face o grupo fechado Bazar de trocas da Estilo (revista Estilo), onde só eram permitidas trocas. Lá conheci muito gente legal, algumas que tenho contato até hoje e fiz ótimas trocas também. O Bazar existe até hoje, mas como nem tudo são flores, com o tempo começaram a aparecer as "golpistas", que não cumpriam com o combinado e enviavam peças rasgadas, sujas, etc. Uma pena!!! 

Em 2011 também, fui convidada para participar de uma matéria no caderno Caderno Donna da Zero HoraDonna da Zero Hora sobre a nova onda dos brechós, onde apareci na capa, o que trouxe muita visibilidade para o Garimpo. 




O Garimpo surgiu como uma forma de tornar nosso guarda-roupa mais sustentável, sempre procurando repassar somente peças em ótimas condições, novas ou usadas, muitas de grifes conhecidas, o que não é o mais importante, porém são peças que sabemos da qualidade envolvida. 

Hoje, adquiro a maioria das minhas peças em brechós, tanto virtuais / facebook / enjoei quanto em brechós físicos em Porto Alegre (hoje temos opções excelentes por aqui). Tento comprar novas peças com o valor que adquiro com as vendas no Garimpo, o que nem sempre é possível, porém hoje gasto muito menos em roupas e sapatos do que antes de ter o brechó e tenho peças maravilhosas, adquiridas a maioria com preço bem mais acessível através dos brechós e bazares. Para finalizar, o Garimpo nunca foi minha principal fonte de renda. Nestes 8 anos de brechó mudei algumas vezes de emprego e terminei minha faculdade, mas o brechó manteve-se firme, sempre como um hobby, mas também uma renda extra ;-) 

Obrigada pela oportunidade!!
E desculpa se me estendi muito mas hoje acabei me inspirando para contar a história do Garimpo! 

Em anexo alguns looks com peças de brechó (jaqueta verde ellus, calça jeans forum (2ª foto), blusa seda ateen e calça jeans Le lis blanc (1ª foto), vestido Antix e cinto Via Uno (3ª foto). 

abraços e sucesso!!

(A gente também deseja sucesso pra vc Mônica, e para mais projetos que envolvam passagem de roupas usadas...)

24.4.17

Compartilhando Trabalho de Pesquisa

Quem acompanha meu trabalho sabe que sou pesquisadora no campo da moda, sujeito e suas produções no coletivo. Na última sexta-feira minha colega Michele Medrado apresentou texto nosso em evento na UCLA. 

Segue aqui fragmento de nosso paper que penso ser muito pertinente a visualização no dia de hoje que, para quem não sabe, é aniversário de uma tragédia: o desabamento de um edificio chamado Rana Plaza em Bangadesh onde fucionavam facções de produção da indústria textil. Foram 1129 mortos. 

Today April 24th is “Fashion Revolution Day”, what to observe?
Clothes and textiles are things that more than covering our bodies or helping us to negotiate or social positions and establish relationships; They can lead to distinct politics of space, nations and social realities, all tangled in a web of meanings whose visual expression circulates globally manifesting symbolic power and violence. On April 24 of 2013 Rana Plaza’s factory building collapsed and approximately 1,129 (a thousand hundred twenty nine workers died). Images of the tragedy circulated worldwide showing that sweatshop is an imperative kind of labor environment on the contemporary garment industry production.
Today is a day to remember each women's workerswomen's workers that bring their kids to the workplace and teenagers that sewed our entire wardrobe overseas working in dirty places, over 10-14 hours and earning an average of $ 100 monthly. It is the day to improve and sometimes rethink sustainable fashion practices, to realize the consumer role and the consumer society. It is the day to boost, and expand critics ideas of ephemerality, to enhance transformations of the fashion productive system acknowledging thatclothing is not only as a object with market value. Clothing are project of values, whose transnational relations among producers, distributors and consumers are marked by alienation and fragmentation. If we are looking for a revolution we must think on the women’s workers.

Segue link do evento para quem quiser saber mais. 

21.4.17

SÉRIE "HISTÓRIA DE BRECHÓ" vol.2 Maria Sem-Vergonha

A primeira postagem dessa série saiu dia 07 com o brechó Casa da Traça. Hoje o blog abre a página para o Maria Sem-Vergonha Brechó, o brechó com nome de flor, mas também de qualidade de melher determinada, que não se preocupa com a opinião alheia. Segue depoimento redigido por uma das sócias, a Solange. A outra é a Simone.


O Maria Sem-Vergonha brechó nasceu no dia 19 de março de 2009, ocupando o mesmo berço do Spazio Brechó, na Osvaldo Aranha.
Minha sociedade com a Simone se formou quando dividimos a ideia de abrirmos um negócio em conjunto, bem antes daquele ano.  Dentre as opções levantadas estava um brechó infantil, visto que poucos existiam na cidade, caracterizando uma oportunidade de negócio. Mas não poderia ser um brechó qualquer. Tinha que ser um parecido com o Spazio, para mim um modelo a ser seguido pelo fato de ser moderno, diferenciado.
Certo dia, olhando os classificados da Zero Hora eis que me deparo com o anúncio de venda do Spazio. Não acreditei e imediatamente liguei para a Simone. Sabia que aquela seria a a oportunidade das nossas vidas. No dia seguinte, lá estava eu negociando a compra do ponto com a Duce. Amor a primeira vista.
Assim, planejamos a nova loja contemplando produtos infantis e adultos, só para "meninas". Fizemos o Plano de Negócios e uma linda inauguração. Com o tempo deixamos de trabalhar com peças infantis. 
Minha formação é em Publicidade e Propaganda, e a da Simone é Magistério. Ambas tínhamos experiências no comércio. Eu particularmente fui criada dentro de uma loja e jamais imaginaria que minha maior satisfação pessoal pudesse estar à frente de um balcão, mas também usufruindo dos conhecimentos e experiência de quase 15 anos na publicidade.



Fecho com meus pitacos...
O Maria Sem-Vergonha também é um estabelecimento onde eu levei turmas de cursos de extensão sobre brechós. Minha escolha se deu pelo modo preciso com que a Solange e a Simone escolheram trabalhar. A seleção das peças de dá de forma organizada, uma vez ao mes, com agendamento de clientes. Elas tem critério e comprometimento com ele e para com suas clientes. Há um estilo claro na loja e o acesso é ótimo. O atendimento é excelente, respeitoso e cuidadoso. 

17.4.17

Serie PRÁTICAS DO VESTIR

Só retomando a ideia: isso não é um look do dia, não é um acerto com marcas de moda, não pretende ditar códigos ou sugestões de como se vestir. Agora que sabemos o que não é... bora lá?

Esse feriado foi Páscoa. Foi bem cansativo: precisei vir na sexta-feira santa no consultório buscar os bolinhos de peixe que ficaram no congelador, trabalhei na madrugada sábado/domingo via skype com uma amiga-colega na construção de um texto, dormi pouco. Mas no final do domingo curti. Não descansei, mas curti. Isso me fez levou a me dipor a pensar em uma roupa para a segunda, ao invés de me contentar com jeans/camiseta ou calça preta/camisa/sapato. Ao escrever essas linhas notei umas coisas tristes, que talvez compartilhe no final...

O cenário é meu consultório;
A camiseta por baixo é uma básica da hering. Talvez o item mais mercadológico da composição;
Colete de neoprene que ganhei há tempos da tia Suzana;
Saia de couro sintetico que minha mãe fez para mim (by Yeyê Soares) com forro quadriculado. O cetim do forro foi presente da Suzana e ficou guardado muito tempo nas caixas de costura, até que minha mãe teve a ideia de colocar nessa saia. Achamos que daria um tchãn na fenda de traz. 
Meia-calça que ganhei da minha prima que aniversariou ontem... Olha aí a diversão do domingo!! 
Sapato que foi da minha irmã. Ele deve ter uns 18 anos. Passou pouco por sapateiro!
Anéis de sempre na mão direita.
Anel de madripérola comprado na Feira de São Cristóvão em Errejota.
Brincos que foram, em priscas eras, da minha mãe. Tipo, há uns 30 anos. 





A cara de quase psicopata é por conta do cansaço. E fiquei pensando mais sobre a escolha... A mistura do couro sintético com o neoprene modelado ao corpo tem uma pegada feminina, talvez sensual. O preto, sem a alegria da cor, pode reforçar essa ideia. Aí pensei... Pq em uma semana tão cansativa esse apelo que, diga-se de passagem, vem me incomodando? Pq do cansaço gerar uma imagem de feminilidade apelativa? Isso me entristeceu. Até eu lembrar das meias alegres, divertidas e saber que vieram de minha prima me reconfortou. Um imagem familiar de feminilidade, imagem que se constrói. Pq é nas brechas que vamos construindo possibilidades de um vestir singular. 

14.4.17

ESTILO E PRECONCEITO: palavra com efeito de ato

"Não gostei da maneira como ela combinou essa blusa com essa bolsa."

"Que maquiagem é essa?!"

"Ela é um amor, mas tão cafona, né."

"Trabalha com moda e se veste desse jeito."

"Tão elegante... Será que é a esposa que escolhe para ele?"

"Não tem senso de ridículo?"

Voce já proferiu alguma dessas frases? Nem intimamente para amigxs mais próximos ou umx colega superconfiável? Oscar Wilde já dizia que só os tolos não julgam pela aparencia. Todos nós julgamos, sejamos honestos ao menos em nossas reflexões, nessa leitura ou no mesmo ambito em que se partilharia um conteúdo como este acima. 

Sugiro a liberdade de expressão? Calma... Vamos pensar assim... Como transformar qualquer realidade sem ao menos saber de que modo ela te atinge? Saber de que modo determinada estilo nos incomoda nos ajuda a reconhecer o nosso próprio e assim poder entender como conviver com o diferente. 

Se voce não reconhece que determinado tipo de estampa, modelagem ou corte de cabelo lhe são desagradáveis no espelho, como saber se seus olhos, espelhos aos outros, não expressa o mesmo tipo de rechaço? 

"O preconceito é um tipo de injustiça que expõe na linguagem, mas também se cria por meio dela. E nesse sentido que se pode dizer que falando estamos fazendo."

No Brasil as pesquisas indicam que a maior parte da população identifica a sociedade como racista (um dos inúmeros tipos de preconceito), mas uma ínfima minoria reconhece em si tal falha. 

A proposta é pensar DE QUE MODOS, ou ainda, COMO somos preconceituosos com o estilo alheio de vestir-se. Inevitavelmente seremos de alguma forma. O desconhecido costuma ser algo delicado para uns, doloroso para outros ou ainda um grande monstro. Não é fácil este exercício, mas é um ponto de partida importante para construção de olhares que saem de uma posição crítica e passam a respeitar, ou quiçá admirar a diferença. 

Cada vez que nos fechamos a diferença nos abrimos ao nosso próprio umbigo. O problema nisso é que quando falamos de práticas do vestir estamos implicando objetos e, com isso, consumo. Quando achamos que nossa opinião é algo que temos liberdade de usar indiscriminadamente entramos na ceara do rompimento do espaço partilhado e migramos para o espaço governado pelo individualismo. E o individualismo tem direção na ilusão do poder de compra. Se é meu, logo ninguém tem nada a ver com isso. Ora, se ninguém tem nada a ver com isso pq vc poderia então opiniar arbitrariamente sobre o estilo do outro? 

Olhar-se no espelho e encontrar uma imagem agradável é muito importante, mas é uma construção. Ela não precisa passar exclusivamente pelo consumo de roupas como conhecemos nos últimos 20 anos. Há outros modos de inventar o seu look para sair de manhã. 

"Roupas de marca são escafandros, e carros de moda, jangadas que nos levam aquele tipo mitológico de ilha dos mortos que parecem em filmes de fantasia. As coisas que podemos adquirir no reino do poder de compra são ancoras por meio das quais queremos sentir que se atravessa um chão firme, embora estejamos a deriva em alto-mar. Isso tudo sem sair das margens de nós mesmos. 
(...)
O que mais atrai na mercadoria, a certeza de que possuir algo, não é mais que uma grande fantasia."

A fantasia esta de que a compra de uma roupa possa ser a única forma sentir-se bem com o espelho. Não esquecendo que os olhos dos outros funcionam como espelhos. Não espere que o outro não lhe julgue se voce mesmo o faz. Converse sobre outros assuntos com seus amigxs e colegxs. Quando compartilhamos um julgamento/opinião/apreciação negativa com outras pessoas isso toma uma materialidade, ou seja, uma ideia que pode ser sentida. Assim como um tapa, uma roupa que pinica, um empurrão. A agressividade da palavra pode ter força de ato. 

Busque em si seus preconceitos estéticos. Não é facil; encontre parceirxs para compartilhar as dificuldades do desafio. 

As aspas são do livro "Como concersar com um fascista - reflexões sobre o cotidiano autoritário brasileiro" de Marcia Tiburi.

3.4.17

Série PRÁTICAS DO VESTIR

A série "Práticas do Vestir" já vinha sendo postada na fanpage há uns dois anos. Trata-se da descrição tal qual um relato afetivo do que estou vestindo no dia. O convite é estendido xs parceirxs do Projeto e da vida: quem quiser contar o que escolheu vestir em algum dia pode me enviar fotografia e relato. A estética é totalmente livre, ou seja, a ideia não é um ensaio fotográfico profissional ou um conto com estilo literário, mas sim mostrar o que se é pela roupa, de forma franca, simples e, pq não, mundana. 

A escolha que fiz hoje tem relação com meus ultimos dias e é isso que contarei sobre essa combinação de peças: 





Escolhi vestir hoje um vestido que troquei na última sexta-feira. No Brechó de Troca eu não costumo levar peças para trocar; prefiro reservar o espaço para coordenar, produzir, acompanhar. Já troquei diversas vezes, mas não é o usual. Isto não quer dizer que eu não vá atrás desse tipo de experiencia! Foi assim, num cruzamento do meu desejo com a disponibilidade de um grupo de mulheres, que achei o meu grupo, o meu espaço de troca-troca. 

Poderia parar aí, dizendo que escolhi também a jaqueta, pois foi adquirida também neste grupo, mas há mais tempo. Mas pq simplificar a experiencia, não? 

O fato é que o grupo é mais do que um espaço de troca de roupas, é um grupo de amigas (ao qual me sinto pertencente). E um espaço onde encontro referencias para o trabalho e para a vida. Referencias estéticas, de ética, de moral; referencias de educação, de cuidado. Para se seguir em frente não há como seguir sozinho; ainda que a solidão vá sempre nos rondar. 

Fotografo-me sozinha, mas sigo acompanhada por tudo aquilo que me veste. 

E depois meus anéis "de sempre", que me lembram que a solidão espreita, ao mesmo tempo alegre e triste;

E na outra mão um anel garimpado em um brechó em um momento de alegre solidão;

E no pescoço um colar que outra importante referencia feminina me deu. Um doce camafeu. Mas essa já é outra referencia... 

30.3.17

QUEM SOU EU, ESPELHO ESPELHO MEU?

Mito ou verdade que a diferença da incidência de luz dos provadores de lojas de roupas é pensada para provocar o consumidor a comprar mais?

Ainda não tenho a resposta, mas adorei a experiencia do site incrivel.club e seus relatos divertidos. A menina foi aos provadores das grandes e conhecidas lojas de fast fashion sempre com a mesma roupa e recurso fotográfico. E gritante a diferença entre as imagens, sensação de idade, tamanho, etc. A luz é um recurso poderoso na produção de imagem. Não a subestime. 

Fica o conselho para quem vai ao provador: lembre-se de quem você reconhece todos os dias pela manhã, e não se abale com a imagem que a loja inventou que você deve ser. Fácil? Não!!! 

Para acessar a matéria completa clique aqui.


26.3.17

ROUPAS E SEU DESTINO

Você já se perguntou para onde vão as peças de que voce se desfaz? Bem tracemos alguns caminhos possíveis, ok?

Você compra uma peça nova; ela custa um valor razoável, escolheu em uma loja que gosta e sabe que não foi fabricada por mão de obra escrava. Sente-se reconfortada por isso: está fazendo o possível dentro de seu universo para não manter essa cadeia terrível. 

Um belo dia cansa de usá-la. Tenta mais duas ou tres vezes, mas não lhe faz mais sentido. Resolve juntar com mais uma sacola de outras peças com o mesmo problema e leva a um brechó para vende-laas. Lá descobre que não é a única que teve a mesma ideia: é uma onda essa tal preocupação com o consumo de roupas e os brechós estão atulhados de desapegos. Então passa a roupa e mais duas para uma amiga e o restante envia para uma instituição de caridade. No caso das peças doadas para sua amiga terão o mesmo fim: algumas doadas para outras amigas e o restante para instituição de caridade. E depois? 

Dessa vez não citarei aqui as possibilidade regionais para o destino "final" dessas roupas. Agora compartilharei um documentário que mostra o melhor destino que sua roupa pode ter. Eu disse o MELHOR. Pq há possibilidade ainda piores. 


23.3.17

ROUPA DE MULHER DIREITA

Como uma mulher deve se vestir? Como deve se vestir para ser respeitada? 

O fato é que uma a cada tres pessoas acreditam que a culpa de um estupro é da vítima, ou seja, do modo como ela falava, vestia, era. Pq essa é a questão: o ato do estupro é sempre em função de algo de expresse o feminino. Roupas femininas, gestos que expressem algo que é comumente conhecido como feminino, um homem que posicione de maneira menos afirmativa, meninas. Basta insinuar, portar ou ser algo que o agressor entenda como feminino que o mesmo passa a entender que tem gerencia sobre este corpo. 

A CULPA NUNCA É DA VÍTIMA. 

Esta realidade dura, de distorção de uma lógica do direito sobre o próprio corpo, está presente no trabalho fotográfico (e tese) de  Katherine Cambareri. A fotógrafa escolhe não as vítimas, mas suas roupas para registrar a impactante afirmativa de que não é uma saia curta ou qualquer outra peça de vestuário que definirá quem pode ser estuprada. NINGUÉM pode. As roupas são escolhas de pessoas para expressarem-se, mas é somente seu desejo expresso que define se ela quer ou não ter relações sexuais. Qualquer situação diferente dessa é estupro e independe da roupa que a mulher usa. 



O que voce acha das escolhas estéticas das vítima? Ou isso não interessa, não é mesmo?
Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NoDerivs 3.0 Unported License.